Versos sobre namoro

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Escrever tem me ajudado, mas também atrapalhado

2020.06.16 03:51 LSRaymonds Escrever tem me ajudado, mas também atrapalhado

Peço desculpas desde já se essa postagem não entrar em concordância com o intuito do sub
Bem, como escrevi no título, eu escrevo poemas mas não a muito tempo, desde o segundo semestre de 2018 onde minha depressão já estava em uma decadente após o pico quando terminei meu primeiro namoro. Meus poemas são basicamente melancólicos, eu não consigo escrever sobre nada que seja alegre, feliz, já tentei até mesmo na época do meu último namoro (época mais feliz da minha vida certamente) e nada saiu, faz um certo sentido considerando que eu decidi usar a poesia como um escape pra quando não tenho como desabafar ou falar com ninguém, então simplesmente jogo toda a raiva e a tristeza no papel, isso me ajudou a superar um pouco minhas piores fases, mas também se tornou um problema.
Eu sou muito crítico comigo mesmo e tenho medo de revelar pra outras pessoas que escrevo, só falo quando sinto que a pessoa é confiável e não vai me sacanear ou zuar com a minha cara, por mais que seja meu pessoal naqueles versos, aquilo é parte de mim e eu quero poder compartilhar com alguém, sabe? Sempre que mostrei meus poemas pra alguém, tive reações positivas mas eu ainda sim me sinto pra baixo, pois sempre penso que a pessoa não critica pra não me deixar mal, eu estou constantemente duvidando de mim mesmo e até hoje só gostei de verdade de um poema que escrevi. O fato de não ser um leitor assíduo e não conhecer muito sobre literatura me faz me sentir um merda, escrevo mas que assunto vou ter se eventualmente encontrar alguém que escreva também? Adoro encontrar pessoas que também são envolvidas com a arte de alguma forma, me faz me sentir menos estranho mas sinto que não tenho base quando falo com essas pessoas.
Sei que muitos dos meus problemas são mais parte da minha personalidade perfeccionista e da minha insegurança e ansiedade, escrever me ajuda muito, mas acabou me dando uma nova plataforma para eu me julgar e me comparar com outras pessoas...é complicado
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2020.05.27 16:05 usernamenaoseihaja1 O WEB NAMORO PARTE 2

Então passou dois messes +/- e ela começou a mudar muito Sempre que eu mandava mensagem ela demorava muito pra responder e quando respondia ela não demonstrava interesse e então com o tempo isso foi me machucando Eu comecei a me sentir muito mal com aquilo e foi aí que eu decidi tomar uma decisão terminar com ela,ms eu não sabia com fazer isso até porq eu amava muito ela(Eu acordava ela com poemas e versos todos os dias)Eu gostava muito de escrever poemas ela era a minha grande inspiração não tinha um dia que eu não escrevia um poema pra ela ms enfim.
Mesmo amando muito ela eu tive que tomar uma decisão eu terminei com ela e passei 2 dias chorando muito quando eu terminei com ela foi como se eu tivesse tirando um grande pesso das minhas costas e com o tempo as coisas começaram a ficar piores
Eu comecei a matar aula,eu parei de comer,tinha dias que eu simplesmente passava a noite inteira acordada sem fazer nada essa foi a "pior" fase da minha vida
Nessa época eu era muito magra e como eu não estava comendo nada as vezes eu passava mal na rua,eu sempre tive problema respiratório ms antes eu n sabia oque era então eu sempre parava no hospital(A mina mexeu muito com o meu psicólogo)
Voltando ao assunto Passou um tempo e eu não conseguia parar de pensar nela ai eu decidi mandar mensagem pra ela pedindo pra reatar o namoro e ela aceitou eu fiquei feliz (pensei que ia ser como antes)isso tudo aconteceu 1 mês antes do meu aniversário.
No dia do meu aniversário Eu acordei e ela terminou comigo e isso estragou o meu dia(Eu nunca ms comemorei meu aniversário)nesse dia eu realmente me afundei na depressão,com o tempo eu comecei a me cortar,comecei a ter alucinações eu via bixos,pessoas mortas etc(só quem já passou por isso sabe como é)
Ms enfim passou um tempo e chegou o dia que eu cansei de tudo No dia 24 de agosto de 2018 eu tive um desentendimento com a minha irmã e eu peguei uma das giletes que eu tinha no bolso e fiz dois cortes no meu braço(um dos cortes pegou na cartilagem)começou a voar sangue para todo os lados e eu entrei em desespero
Peguei 2 bandanas que tinha na minha mochila e comecei a enrolar mos braços e sai do condomínio rápido pra ninguém ver aquilo passei a portaria voando kkkk
Na hora que eu ia sentar na calçada uma mulher tava saindo com o carro da garagem e ela viu o meu braço sangrando e ela começou a chorar ela chamou a família dela pra me ajudar sentou do meu lado e super me motivou sabe?
Ela foi um amor de pessoa,ela orou pela minha vida e me pediu pra orar com ela e eu meio que só fechei os olhos e deixei ela orar,aí ela ligou pra ambulância
Eles não quiseram vir,na segunda tentativa foi completamente diferente Ela pediu a ambulância e me botou pra falar com a médica A médica me perguntou minha idade e onde eu morava etc.
A ambulância chegou e eu entrei me amaram na maca,me colocaram um bagulho no meu dedo que eu não sei oque era,não deu 2 minutos e já tinha um monte de pessoas em volta da ambulância querendo saber oque tinha acontecido.
(A para médica que tava na ambulância era muito linda,ela tinha um sorriso mt lindo me apaixonei por ela kkkkkk zoas)
Chegando no hospital foi tudo normal né a médica costurou meu braço(kkjkkk mano ce acredita que enquanto ela costurava meu braço ela começou a contar uma história muito nada haver tipo elas estavam conversando sobre o dia que ela precisou costurar o pinto do cara pq o pinto dele tira ficado agarrado no fecho da calça e eu fiquei tipo ?????? Moça?)
Tomei 2 anestesias local e tomei 10 pontos,tenho foto dos cortes.(Se quiserem ver eu posto) Não deu 10 minutos e chegou minha mãe(baraqueira) meu irmão é minha namorada na época.
Eles queriam tomar o meu celular porque eles achavam que eu estava participando da "baleia azul" kkk.
Ms enfim minha namorada(hoje em dia não falo ms com ela) Cuidou de mim,ela me dava os meus remédios tudo no horário,me dava almoço e janta(Na época minha mãe saía muito pra trabalhar e estudar) Então a minha namorada ficava o tempo todo conversando comigo e cuidando de mim umas 13:00 da tarde eu ia dormir na cama dela,e todo dia a mesma coisa.
O tempo passou e chegou o dia de tirar os pontos tirei e fui pra casa Uns dias depois eu voltei lá pra uma consulta. Até que um dia por pura conhecidencia eu tava conversando com uma médica e ela tava contando que ela salvou a vida de uma menina(Eu era a menina ms ela não sabia)
Ela falou que essa menina tentou se matar e eu ri e disse a menina sou eu e ela ficou muito feliz de me conhecer e com o tempo ela se tornou a minha melhor amiga sabe?ela me ajudou durante um tempo,ela me passou o endereço de um lugar que as pessoas se ajudavam(era um grupo de apoio eu frequento lá até hj)
Messes depois Ana Beatriz me mandou uma mensagem e eu toda besta pedi pra voltar com ela novamente(A cara eu sou muito idiota desculpa)ela aceitou só que ela disse que tinha que me contar uma coisa que talvez me faria mudar de ideia.
Ela estava grávida na hora eu achei que ela estava zoando ms não Ela me mandou foto da barriga aí eu pensei mentira (ela sempre foi gordinha então não dá mesmo pra ver que ela estava grávida kklkk)
Aí ela me mandou foto do cartão de gestante Só ai que a ficha caiu e eu pensei (mano era não era lésbica?) Ms enfim ela me iludiu durante um mês
No dia 29 de dezembro de 2018 ela me pediu ajuda e eu não recusei ajudar lá né
Ela disse que não tinha dinheiro pra fazer a ultrassom do bebê e eu ofereci 100 reais pra ajudar,ela me passou os dados da conta e eu depositei o dinheiro(Eu sei que eu não tinha obrigação nenhuma de ajudar ms eu tenho um coração muito bom)
O golpe. Sim eu depositei o dinheiro e ela ainda tenho me aplicar um golpe ela me mandou uma mensagem dizendo que o dinheiro não tinha caído na conta e eu pedi pra ela me mandar foto do comprovante pra mim ver se realmente não tinha caído e ela se recusou a mandar inventou um monte de histórias e não falou ms cmg.
No dia seguinte Ela me mandou uma mensagem assim "Já faz muito tempo que eu não sinto nada por vc" Essa mensagem me destruiu,minha auto estima ficou mt baixa nesse dia. Chorei ms superei kkkk
Eu xinguei ela e bloquiei. Depois disso eu perdi a confiança em todo mundo.
(Tenho uma outra história que complementa essa ms não deu pra contar aqui se vcs quiserem eu conto depois)
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2019.07.09 12:18 lipherus Íbis — Capítulo I

Bom dia, é a primeira vez que escrevo em primeira pessoa e gostaria de opiniões. =)
“A voz dos deuses e escolhida de Thot. No começo, era apenas uma Oráculo. Depois, uma bruxa queimada na fogueira do deus pagão. Espírito vagante sem salvação. E agora, protegida pelo crepúsculo Retorna aos braços d’Aquele que sempre a amou. Sob as asas d’Ele, ela se abrigou. E descansou.”
O pequeno e singelo poema cortou o silêncio do salão. Eu estava trêmula e ofegante, pois estava atrapalhando a palestra do meu professor e a grande oportunidade de sua carreira. Os estudiosos olhavam para Heru e depois para mim, à espera de alguma cena dramática que não aconteceu. Ele apenas desceu do palanque e me alcançou, sorrindo e igualmente trêmulo ao tomar o papel de minhas mãos. Murmurou agradecimentos e disse estar surpreso com a tradução, porque aquelas palavras deixavam explícitas que os antigos egípcios eram capazes de prever o futuro. Prometeu uma conversa sobre o papiro depois e pediu que eu me retirasse, mas não sem antes me agradecer de novo. Ao fechar a porta, explodo em lágrimas emocionadas e cansadas. Traduzir o poema foi um trabalho árduo de quase quatro anos, para no final descobrir que Thot havia se apaixonado por uma mortal e enterrou seu corpo em uma tumba sem glamour. Ele queria que sua amada permanecesse anônima, mas que ainda soubessem a quem pertencia. Ela não tinha um nome e sequer corpo, todavia sua existência estava cravada nas paredes de pedra do sarcófago. Levanto-me orgulhosa e volto para o laboratório, à procura de mais pistas sobre os amantes. Havia algo que ainda não tinha visto nas marcas e, mexendo em alguns pertences, um pingente em forma de meia lua cai no chão. Não sou perita em metais preciosos, mas sei que seguro algumas boas gramas de ouro puro. Procuro por escritos no verso da peça, e nada encontro, salvo os hieróglifos que remetiam a Osíris e Thot. Um presente para o deus do submundo? Depois de catalogar o colar, volto minha atenção aos textos até sentir dor de cabeça e sentar na cadeira. — Nailah, o professor Heru te chama no salão de convenção. Engulo em seco e vou até ele, esperando uma bronca por ter interrompido a palestra. Porém, ao entrar, fui recebida por salvas de palmas fervorosas. Ele me abraça e pede que explique aos demais sobre a descoberta, já que o mérito da tradução é todo meu. Sinto um misto de vergonha e emoção, porque Heru não tomou os créditos para si e deixou que eu, uma mera assistente, falasse aos melhores profissionais do mundo por horas a fio. Ele ficou ao meu lado para explicar alguns termos que não conheço, simplificar perguntas e traduzir algum outro idioma que não entendo. Ao terminar, pude respirar. Estou tão cansada que é difícil manter os olhos abertos e pensar, mas eu ainda preciso falar com ele. Despeço dos outros por alguns minutos e Heru me abraça de novo, sugerindo um jantar antes de irmos para casa e dormir. Aceito e nós fechamos o laboratório depois de pegar algumas coisas. "Sob as asas d’Ele, ela se abrigou.” É engraçado como essa frase ecoa na minha cabeça quando estou andando lado a lado com Heru. Eu o conheço há quase dez anos e nunca deixei de me sentir protegida e iluminada por sua presença. Ele é alto e imponente, com a pele tão preta que é quase avermelhada, e olhos espertos e pretos. Mas, basicamente, Heru Monterrey é um cachorro grande e bonachão que ladra e não morde. É muito fácil deixá-lo magoado e à beira de lágrimas, se quer saber. E eu amo ver esse lado sensível e frágil do meu professor, pois o torna humano e acessível. Ninguém imagina que um pesquisador de renome como ele é coração mole. — Eu encontrei isso. — entrego o colar em suas mãos. — Estava perdido no meio dos papéis. Parece que é uma oferenda a Osíris e Thot. — Ou uma oferenda de Thot para Osíris? Coço a cabeça e suspiro. — Não tinha pensado nisso. — confesso. — Nailah, você está esgotada e eu acho que deva tirar umas férias. — ele toca no meu rosto. — Eu estou pensando em dar um tempo também, podemos viajar juntos. — Quem convida é quem paga, viu? — empurro ele com meu ombro e sorrio. — Seria uma bênção poder dormir até tarde. — Pode ficar com a lua. Pego o colar e olho pra ele, chocada. Sabe-se lá de quando é a oferenda e Heru estava entregando casualmente pra mim, como um pingente comprado numa loja qualquer. Abro a boca inúmeras vezes, mas nenhuma palavra decente sai dela e só me limito a levantar as tranças pra facilitar o trabalho dele. Heru me julga por um tempo, ajeita e mexe no colar até deixá-lo bem em cima do meu coração e ficar satisfeito. — Tem certeza? — murmuro. — Isso é da sacerdotisa e não quero que Thot venha me assombrar. — Se Ele deu pra amada d’Ele, acho que não ficará bravo se eu der pra minha, não acha? Abaixo os olhos, subitamente tímida. Nós sempre brincamos com nossos colegas, que consideravam-nos namorados, mas ele nunca falou tão sério quanto aquele momento. Mordo meus lábios e seguro sua mão, sem dar resposta, mas deixando claro que se aquele é o sentimento dele, então é recíproco. Às vezes palavras não ditas fazem mais efeito do que aquelas expressadas aos quatro ventos. — Comida japonesa? — Heru pergunta para quebrar o gelo. — Depois umas doses de anti-histamínico pra não morrer de alergia? — Combinado. Saber que ele é apaixonado por mim tanto quanto sou por ele fez um bem danado pra minha auto-estima. Se antes e em algum momento da minha vida achei que não era bonita ou capaz, estava completamente enganada. Ouvir dos lábios dele que minha inteligência e devoção foram fatores cruciais para que ele se interessasse, tornou-me tão inchada quanto um balão. Depois, Heru começou a enumerar minhas qualidades físicas e só parou quando eu estava com a cara quente e prestes a surtar. Eu sou brasileira e me orgulho disso. Meu país tem os problemas dele, assim como os Estados Unidos também têm, mas nunca pensei que estudar na Unesp ia me levar até onde estou. Lembrei das noites acordada estudando infindáveis textos, das vezes que quis desistir e da minha felicidade por ter sido aprovada na faculdade que ele dá aula. E passei a amar meu corpo em forma de pera, os cabelos trançados e coloridos e, acima de tudo, a cor da minha pele. Antes tinha um grande tabu comigo mesma, por ser preta e ter uma posição de destaque, mas conforme fui aprendendo na faculdade e com a vida, percebi que estar ali é um mérito do meu esforço triplicado. No final da noite, eu e Heru transamos e dormimos juntos. Foi o momento em que eu o vi mais vulnerável, conheci cada cicatriz de seu corpo, os problemas que tinha, as marcas... Tudo. Ele se entregou completamente e assim também fiz, mostrando-lhe as feridas que tenho da época em que me afundei em depressão e cortei meus braços e pernas. — Bom dia. — ouço seu preguiçoso resmungo enquanto ele aperta minha barriga. — Agora posso morrer em paz. — Quer parar com isso? — começo a rir e abro meus olhos. — Bom dia. — Eu sempre quis apertar sua, como é que você chama? Pança. — seu português falho é particularmente adorável. — Eu amo essas dobras, sabia? — Heru! Para, sua mão tá gelada! — Tá bom, tá bom. Permissão pro abraço? — Concedida, senhor Monterrey. Enquanto ele toma banho, vou preparando o café da manhã. É inconsciente, mas eu checo minha barriga e conto as dobrinhas, três no total, pensando em como Heru pode achar aquilo interessante. Ouço seus passos ecoando pelo corredor e me viro para olhá-lo, namorando a cena do homem enrolado na toalha e molhado ainda. Ele se aproxima e ajeita a lua, jogando as tranças sobre meus peitos para tapá-los e evitar que eu pegue mais friagem. Seguro sua mão em meu rosto e fecho os olhos, sorrindo como a trouxa que sou. — Vai querer viajar? — Onde pretende ir? — roubo um selinho dele antes de servir a mesa. — Não vai entregar o artigo científico sobre a tradução? — Não está escrito em lugar algum que sou obrigado a trabalhar durante minhas férias. — ele dispara. — Pensei em alguma praia, sei lá. — Negão desaforado. — acerto a colher de pau na cabeça dele. — Praia é muito clichê e eu não sou muito fã do frio. — Patroa difícil de agradar, viu? Sento ao seu lado e começo a rir. Ele está tão à vontade que até parecemos casados há eras, e eu só sinto que vou desmanchar de felicidade. Nós conversamos um pouco mais sobre a tradução e Heru corrige o inglês, reclamando do quanto sou ruim para escrever. Tal afirmação me ofendeu um pouco, já que escrevo fanfics durante minhas folgas e nem formado nisso ele é. Começo a julgá-lo em silêncio e ele percebeu que tinha me magoado, em seguida pediu desculpas atrapalhadas e disse que ama minha escrita. — Como você imagina Thot de personalidade, Nailah? — Meio parecido com você, mas muito mais apaixonado pelo trabalho. Ele foi um carinha muito ocupado, até ajudar Osíris no submundo ajudou. — acendo meu baseado e deito no sofá enquanto Heru escreve no computador. — Curou o olho de Hórus quando Seth arrancou, depois ensinou magia para Ísis poder reviver o marido, luta contra Apófis quando Amon-Rá traz o sol... Tudo isso e ele ainda fez o calendário e desenvolveu os hieróglifos. — Você tem uma admiração enorme pelos deuses, hum? — A mitologia egípcia é linda, se me permite dizer. Tudo é tão conectado e diferente ao mesmo tempo... A gente não sabe nem um terço do que eles acreditavam e criavam. — E a sacerdotisa? — Não tenho uma imagem dela. — ofereço o cigarro pra ele. — Mas deve ser alguém de personalidade parecida com a de Thot, porque ela pegou o cara pelo colarinho mesmo. Uma pena que não seu nome em lugar nenhum, ia ser muito interessante conhecê-la melhor para entender como funciona esse lance de deuses e amores mortais. — Você viu isso? Sento no colo dele para ler o artigo de um colega nosso, o qual afirmava que Sekhmet e Anúbis tinha um relacionamento secreto. Para mim e meu conhecimento, a afirmação é errada pois eles eram deuses sem sintonia alguma. Ela é a deusa da guerra, tão furiosa que Rá precisou enganá-la com vinho para acalmar seu frenesi sangrento. Já ele parece ser mais pacato e melancólico, servindo fielmente ao propósito do julgamento da pena e à proteção da mumificação. Parecia impossível imaginá-los juntos. Ao terminar de ler, porém, comecei a ter minhas dúvidas sobre o que conhecia até então. — Será que existe algum documento que prova essa teoria? — Antes de Osíris ser quem é, Anúbis tinha o mesmo papel que ele. — Heru contestou ao soprar a fumaça na minha nuca. — Se Sekhmet matou os homens através de sua ira, é bem provável que tenha o encontrado durante a caminhada. — Mas tem uma teoria que diz que Sekhmet é uma face de Hathor e Bastet... Será? — Em Mênfis, ela foi esposa de Ptah e mãe de Nefertun até Mut e sua Tríade tomar lugar e ela passar a considerada como a própria Mut. Nossas informações são bem escassas e temos várias ideias do que pode ou não ser. Cada região tinha seu próprio mito, quem sabe o Richard esteja certo e apenas olhando para outro lugar que não vemos? Deixamos a discussão pra lá quando pegamos fogo levados pela maconha. Quando paro pra pensar nisso, me sinto um pouco culpada por levá-lo ao mau caminho, apesar dele ser bem mais velho que eu. Mas a erva funciona como uma válvula de escape para nós e não é algo que fazemos sempre, resumindo nossas brisas às escavações e trabalho. Pela primeira vez desde que fazemos isso, é que nos preocupamos em elevar a coisa para um nível mais pessoal e físico. Eu namoro o rosto distraído dele e lembro de tratar os arranhões que deixei em suas costas, ouvindo-o dizer coisas em árabe que não fazia nem questão de traduzir. Heru levanta-se num supetão e vira o meu colar, anotando os hieróglifos em um papel improvisado e resmunga ao voltar a deitar. Já sei que tenta entender a oferenda e pronuncia as palavras em sequências variadas, até fazer sentido. Toco em seu lábio para fazê-lo se calar e me aninho em seu abraço. Só hoje, querido, não falemos em trabalho. Roço meu nariz por seu rosto quadrado e reclamo da barba áspera, mas sinto-me protegida por seus braços e mãos sempre geladas. Heru beija a minha testa e desenha com os dedos na minha bunda, me fazendo rir. Ele se lembra de me agradecer pela tradução de novo e mais outras vezes, reforçando o quão honrado se sentiu por me ter como sua assistente, amiga e agora parceira. Confessa que estava a um passo de desistir do texto e eu, novamente, rogo-lhe que não falemos de trabalho. Mas meu amado professor não está contente e me implora para que façamos um artigo sobre Thot e sua amante ao voltarmos de férias.
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